segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Educação, paixão. E Rubem acertando em cheio o meu coração.

“A paixão é emoção gratuita. Não há causas que a expliquem. Mas, quando acontece, ela age como uma artista: da paixão surgem cenas de beleza. Os amantes se imaginam andando de mãos dadas por campos floridos; abraçados numa rede; silenciosos, diante do fogo da lareira; contemplando o rosto de um nenezinho adormecido...Paisagens da paixão.

Minha paixão pela educação tem também suas paisagens. E as paisagens que me comovem, agora que já sou velho, não são as mesmas que me apareciam quando eu era jovem.

Acho que a velhice aparece no momento em que começamos a procurar os herdeiros. Ao meu redor está uma infinidade de objetos que me pertencem. Alguns me são totalmente indiferentes, do ponto de vista afetivo. Como, por exemplo, este computador em que estou escrevendo esse texto, igual a milhares de outros computadores. Não me preocupo com o que vão fazer com ele depois de minha morte. E isso é verdade de todos os objetos definidos pela utilidade. Objetos definidos pela utilidade só valem enquanto forem úteis. Quando deixam de ser úteis são trocados por outros mais novos, ou jogados fora.

O problema está nas coisas que são possuídas por serem amadas, s despeito de sua utilidade. Manoel de Barros, no Livro sobre nada, diz: “Prefiro as máquinas que servem para não funcionar: quando cheias de areia, de formiga e musgo, elas podem um dia milagrar de flores. Todas as coisas apropriadas ao abandono me religam a Deus. Senhor, eu tenho orgulho do imprestável.”

Entre minhas coisas imprestáveis estão pedras que catei em lugares que só eu sei, bolas de gude, piões, troncos de madeira apodrecidos catados no pasto, quadros, livros de arte, livros de literatura, de mística, de poesia, livros que escrevi, CDs, presentes de amigos que, não tendo uma utilidade, são guardados por neles morarem memórias. É preciso que os herdeiros sejam pessoas que os amem e cuidem deles, porque eles são partes de mim mesmo.

Mas, de todos os objetos, os mais difíceis e sutis são as idéias. Bom seria que a gente pudesse fazer com as idéias o mesmo que os testamentos fazem com os objetos: são dados e pronto.
Na minha cabeça moram idéias de dois tipos.

Primeiro, as idéias que não são de ninguém e são de todos, os saberes da ciência, o teorema de Pitágoras, a regra de três, e=mc2, força = massa x aceleração, as informações sobre a história, sobre a filosofia, sobre a geografia, sobre a teologia – tudo isso está gravado e organizado nos arquivos de minha memória de saberes. Congeladas. Paralisadas. Aparecerão quando eu precisar delas e as chamar.

Não tenho nenhum afeto especial por tais informações. Eu as uso como uso martelos e barbantes: pela utilidade. Estão na minha cabeça, mas podem ser encontradas em livros. Se a memória me falhar, vou a um livro e lá estão elas à minha espera. Os educadores deveriam ter isso como moto: mais importante que saber é saber onde encontrar. Se eles soubessem disso, o ensino e os vestibulares seriam totalmente diferentes.

Essas idéias não são minhas. São propriedade universal. Apenas as uso. Assim, seu destino depois de minha morte já está resolvido. Elas nem perceberão que morri.

Mas há outras idéias que são parte de mim. Nietzsche dizia amar somente os livros que haviam sido escritos com sangue. Livros escritos com sangue são aqueles em que as palavras são apenas a carne de idéias nascidas do corpo. A diferença entre os livros escritos com sangue e os outros escritos com conceitos é fácil de ser percebida. Os livros escritos com sangue mexem com o corpo e a alma. Os outros mexem só com a cabeça. O corpo fica do jeito como sempre foi.
Alberto Caeiro tem um lindo poema intitulado O guardador de rebanhos. Diz assim:

Eu nunca guardei rebanhos,
Mas é como se os guardasse.
Minha alma é como um pastor,
Conhece o vento e o sol
E anda pela mão das Estações
A seguir e a olhar...
Quando me sento a escrever versos
Ou, passeando pelos caminhos ou pelos atalhos,
Escrevo versos num papel que está no meu pensamento,...
olhando para o meu rebanho e vendo as minhas idéias, ou
olhando para as minhas idéias e vendo o meu rebanho...

Minhas idéias são os carneirinhos que apascento. Minhas idéias são meu rebanho. Amo o meu rebanho. Fico aflito pensando que, quando eu morrer, minhas idéias ficarão sem pastor. Aí me ponho a procurar aqueles que irão apascentar minhas idéias.
Minhas idéias-carneirinho são meus sonhos. Elas nada têm a ver com a ciência. Porque as idéias da ciências são idéias universais, de todos, quer gostemos delas ou não. A verdade científica está fora do círculo do gostar. Minhas idéias não são universais. São minhas, e dos poucos que gostarem delas.

Meus sonhos são minhas esperanças. Os sonhos são a imagem visível das esperanças. Elas não correspondem a nada que exista. Não têm, portanto, existência no mundo da ciência. Mas os sonhos é que nos separam dos animais. Nossas corpos fazem amor com o que não existe, ficam grávidos e parem.

Existe um mundo que acontece pelo desenrolar lógico da história, em toda a sua crueza e insensibilidade.

Mas há um mundo igualmente concreto que nasce dos sonhos: a “Pietá”, de Michelangelo, o “Beijo” de Rodin, as telas de Van Gogh e Monet, as músicas de Tom Jobim, os livros de Guimarães Rosa e de Saramago, as casa, os jardins, as comidas: eles existiram primeiro como sonho, antes de existir como fatos. Quando os sonhos assumem forma concreta ( Hegel dava a isso o nome de ”objetivação do espírito” ), surge a beleza.

Zaratustra dizia haver chegado o tempo para que o homem plantasse as sementes de sua mais alta esperança.

É essa a imagem que se forma ao redor de minha paixão pela educação: estou semeando as sementes da minha mais alta esperança. Não busco discípulos para comunicar-lhes saberes. Os saberes estão soltos por aí, para quem quiser. Busco discípulos para neles plantar minhas esperanças.”

ALVES, Rubem.

O ESMAGAMENTO DO FUTURO



Peço licença para abordar um tema recorrente, o qual já foi abordado por mim algumas dezenas de vezes. Falo da atitude suicida de nossa sociedade, que insiste em massacrar as futuras gerações.
Onde está a saída? A meu ver, é urgente e indispensável (re)pensar o Brasil atual, formular um Projeto de Nação, no qual a educação deverá ter um papel essencialmente vital. Senão, vejamos.
Desemprego, pobreza e violência estão associados à trajetória dos jovens brasileiros há muito tempo. Muito mais do que se poderia prever ou desejar. E essa tragédia tem explicação, mas não tem justificativa. Pasme, leitor: segundo relatório da ONG Todos Pela Educação (www.todospelaeducacao.org.br/‎), só 01 em cada 10 alunos brasileiros encerra ciclo do Ensino 

Médio sabendo o que deveria em Matemática – número inferior ao medido em 2009. Em Português, a situação é a mesma. O Ensino Médio reúne atualmente alguns dos piores indicadores da educação brasileira. É nessa etapa da educação básica que se concentram as maiores taxas de abandono escolar e também as notas mais baixas no IDEB, índice que mede a qualidade de nossas escolas. E o pior: a situação não está melhorando. O que era ruim, está ficando pior. A culpa não é do estudante, de nenhuma forma, nem há que se buscar explicações em supostas deficiências individuais ou coletivas das gerações futuras. O jovem é vítima do sistema educacional. Na verdade, o Ensino Médio brasileiro é muito chato, uma colcha de retalhos que não leva conhecimento que possa se transformar em ferramentas para a vida, para a sobrevivência, para o mercado de trabalho; passando pela Universidade, ou não. Atualmente, o professor se sente impotente para motivar os jovens a aprender, e o aluno não consegue enxergar a ligação entre o que pedem para ele aprender e o seu futuro no mundo.

Na visão dos especialistas, o Ensino Médio brasileiro é, em suma, uma invenção do inicio do século XX que ainda teima em sobreviver nos nossos dias.
Com a mesma incompetência do ciclo fundamental (em especial, o de escolas públicas), que não ensina a ler nem a fazer contas elementares, o médio não fornece ferramentas profissionais e intelectuais a contento para jovens expostos a um mundo cada vez mais competitivo e exigente.
Com uma grade curricular “engessada, rígida e antiquada” o Ensino Médio brasileiro trabalha com uma receita infalível de fracasso.  
 
O formato atual desmotiva os estudantes, que, por volta dos 15 anos, já sentem florescer competências, preferências e sonhos – além, é claro, de incompatibilidades, aversões e pesadelos.
Assim, apesar de cultivarem interesse por áreas específicas do conhecimento, são obrigados a enfrentar um curso sem variações, cujo currículo é igualmente aplicado a todos. São muitas áreas, e todas abordadas superficialmente. O aluno, então, aprende à base de memorização, repetindo o que o professor fala. É o que eu chamo de “ensino papagaio” Transcrevo aqui depoimento de um jovem amigo meu, estudante (15 anos) do atual ensino médio brasileiro: “Eu creio que o ensino médio é pra ser uma preparação para a faculdade ou para o mercado de trabalho e para a vida adulta; e não uma preparação para uma prova que só mostra que você decorou o que o professor disse durante o período que esteve na sala de aula”. Na mesma direção, ensina o professor Simon Schwartzman: “ao impedir que o aluno se aprofunde em uma área de seu interesse, restringe-se o horizonte dele”. O Brasil não precisa “reinventar a roda” para promover as mudanças necessárias no Ensino Médio.
 
Na Grã-Bretanha, por exemplo, os estudantes do ciclo equivalente ao ensino médio brasileiro podem escolher no máximo cinco disciplinas, que já podem ser voltadas à área para a qual os alunos pretendem se dedicar na Universidade; ou facilitar sua inserção no mercado de trabalho. São casos de sucesso. Por sua vez, a proposta (já em debate no Brasil) de agrupar as disciplinas do Ensino Médio em quatro grandes áreas (linguagens, ciências da natureza, ciências humanas e matemática) pode ser um caminho. Resumo da ópera: Colocar o Ensino Médio brasileiro no século XXI é o grande desafio do povo brasileiro, implicando na defesa da soberania nacional, na redefinição das prioridades de investimentos. Não pode ser um projeto de governo ou de partido, mas um projeto de toda a sociedade, um projeto de Nação.

Mais dinheiro para a educação. Que venham as melhorias.



A lei que destina 75% dos royalties do petróleo para a educação e 25% para a saúde será sancionada nesta segunda-feira (9) pela presidente Dilma Rousseff. Apesar de o texto ter contrariado a proposta original do governo, que destinava apenas os rendimentos do Fundo Social do pré-sal às duas áreas, a sanção da lei vai ser feita em uma cerimônia especial no Palácio do Planalto com a presença de estudantes, representantes de entidades das áreas de educação, saúde e autoridades.

Desembargador manda cortar ponto de servidores da segurança em greve



O desembargador Claudio Santos, do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte, determinou o corte do ponto do servidores da segurança pública que estão em greve. Ele solicitou ao secretário estadual da Segurança Pública, ao delegado geral da Polícia Civil e ao diretor do Itep que enviem, até a data de fechamento da folha de vencimentos dos funcionários de cada desses órgãos, deste mês corrente, ao secretário estadual da Administração e dos Recursos Humanos, a relação dos que estejam em greve, para desconto dos dias parados, com data inicial no dia 3 de setembro, dia seguinte à formalização de notificação da ordem judicial.

A decisão, de acordo com o TJRN, é baseada no “injustificado, acintoso e desafiador desatendimento à decisão judicial exarada por este Relator às fls. 41/58, datado de 28 de agosto último, e com conhecimento formal do Presidente do Sindicato-Réu no dia 02 do corrente mês”.

Claudio Santos também determinou a aplicação de multa ao Sinpol no percentual de 20% sobre o valor da causa, além de aumentar a multa por dia de descumprimento de R$ 10 mil para R$ 15 mil, ficando o Procurador Geral do Estado incumbido de promover a consequente execução, remetendo ao magistrado a devida documentação comprobatória.

“Esclareço, por último, que, na defesa da efetividade e autoridade das decisões emanadas deste Tribunal de Justiça, outras medidas coativas poderão ser tomadas – o que, de ofício, não se pretende, a priori -, bem como para a preservação do Estado Democrático de Direito e do interesse público, onde repousa a essencial necessidade da segurança pública”, destaca o desembargador Claudio Santos.

Além da decisão do corte de ponto, o desembargador solicitou o envio de cópia do processo que trata da greve dos policiais civis encampada pelo sindicato da categoria (Sinpol-RN) ao procurador geral de Justiça, Rinaldo Reis, para, ao seu critério, abertura de inquérito prévio ou oferta de denúncia pelos crimes de desobediência à ordem judicial e abandono de função, “em tese, entre outros, especialmente com relação ao sr. Djair José de Oliveira Junior e a srª. Renata Cristina Alves Pimenta, Presidente e 1º Vice-Presidente do Sindicato-Réu”

SOMOS INDEPENDETES?



Dia 7 de setembro comemoramos o Dia da Independência, mas até que ponto somos independentes? Qual o futuro de nosso país e como tem sido nosso caminho até a verdadeira independência? São questões complexas e que podemos buscar soluções, mas sem obter uma resposta exata, uma vez que o mundo esta em constante mudança e nos atendo também ao fato de que devido ao tamanho dos desafios fica dificil desenhar um cenário, pois dependemos em muito de fatores que fogem ao controle de toda a sociedade brasileira. Como todos sabem, diferente de muitas nações, nosso país não enfrentou qualquer tipo de “guerra de independência”, tivemos movimentos internos e revoltas pela emancipação, que culminou com o momento que ficou marcado na história do Brasil como o dia D, quando as margens do Ipiranga D. Pedro bradou o grito de independência, exatamente no dia 7 de setembro de 1822. Uma questão que pouco se comenta a respeito de nossa independência, é o fato de que tal declaração em nada mudou a nossa realidade sócio-econômica, ficando restrita a esfera política, onde passamos a ter um governo próprio, não “dependendo” mais de Portugal, embora nosso primeiro governante fosse um príncipe português.
 

Direto ao Ponto Entrevista com Lindenberg Bezerra

No último dia 04 de setembro na nossa coluna Direto ao Ponto Entrevista recebemos o Artista Lindenber Bezerra para uma conversa descontraida em relação a Cultura e os Movimentos Sociais da nossa Janduís.
Dentro desse contexto chegamos a conclusão que cultura é tudo aquilo que não vem da natureza, e sim o que é produzido pelos seres humanos e é exatamente isso que diferencia os humanos dos animais: a capacidade de desenvolver esta arte. Existem inúmeras culturas espalhadas pelo mundo, pois envolve pessoas de vários lugares, de hábitos e costumes diferentes, e o respeito é essencial para o convívio dessas culturas entre si. Esta, tem um papel importante para as pessoas e a cidade que investe neste bem tão precioso que é deixado de lado, devido os conceitos da população brasileira que pouco conhecimento tem sobre a arte de eventos culturais espalhados pelo mundo.

Quando bem trabalhada, a cultura pode se tornar algo que faça parte do cotidiano da sociedade, aumentando os eventos e a valorização da cidade, sem contar o retorno financeiro da mesma.
Outro benefício importante, é ajudar crianças que vivem nas ruas, que muitas vezes comparecem em eventos populares culturais e gratuitos quando fornecidos pelo governo, e desenvolvem a vontade de conhecer mais e mais e dessa forma, trazer muitos benefícios para o seu futuro. Para concluir, a importância desse assunto é de grande valor pois oferece benefícios para diversos fatores, inclusive enriquece o conhecimento da pessoa. A tarefa de cada um é levar essa importância a diante para que o governo amplie cada vez mais as verbas para proporcionar atividades para despertar o interesse da população. A cultura está para um povo assim como a alma está para vida, um povo sem memória, é um povo sem destino. É muito triste quando culturas são esquecidas, transformadas, ignoradas, multiladas, é triste quando um povo não pode contar sua história.

Lindenberg ainda respondeu assunto relacionados ao Ciranduis, Formação de artistas, Ponto de Cultura e as Leis de Cultura do Municipio de Janduis, bem como avaliou os movimentos culturais dos grupos culturais da nossa cidade. Ao amigo Berg o nosso muito obrigado e as portas estarão sempre abertas!